APÊ ACORPUNK

FICHA TÉCNICA

Projeto: Interiores

Uso: Residencial

Ano: 2026

Autoria: Gabriel Máximo

Coautores: Daniela Gomes, Gustavo Herrera

Localização: Vila Madalena – São Paulo – SP

Área de Interferência: 70m²

Área Total: 70m²

Materiais Predominantes: Cerâmica, Madeira, Metal.

OPOSTOS HARMÔNICOS

  Este é um projeto que parte de estéticas aparentemente conflitantes para revelar a essência improvável — e complementar — de um casal de noivos. O Apê Acorpunk, como o nome sugere, nasceu da união de dois universos distintos: a vibrância tropical de um, somada à rebeldia e ao nacionalismo roqueiro do outro.

  Mais do que justapor referências, o desafio foi encontrar o ponto de encontro entre essas diferenças. Era necessário equilibrar preferências, rotinas e expectativas, não apenas no campo visual, mas também na funcionalidade cotidiana. Um dos moradores trabalha em casa; o outro passa a maior parte do tempo fora. Ambos recebem amigos e familiares com frequência e desejavam ambientes amplos e integrados para acolher.

  O resultado é um lar marcado por pontos focais bem definidos e contrastes cuidadosamente amarrados. A área social foi ampliada com o fechamento da sacada em vidro e sua incorporação como sala de jantar integrada ao estar, potencializando a convivência e reforçando o caráter agregador do apartamento.

“Esse projeto foi incomum. Apesar de habituados a trabalhar com contrastes, aqui nos deparamos com opostos exatos. Foi surpreendente encontrar um casal tão diferente – e, ao mesmo tempo, tão disposto a construir um lar compartilhado.”

“Os pedidos eram muitos — e opostos. Precisava ser colorido, mas também desbotado. Liso, mas estampado. Espaçoso, mas prático. A solução foi evidenciar essas tensões e organizá-las sobre uma base neutra capaz de dialogar com ambos os pontos de vista.”

FLUTUAÇÃO DE SATURAÇÃO

  Diante de preferências tão distintas — cores quentes, vegetação abundante e superfícies lisas de um lado; preto e branco, metal e ilustrações marcantes do outro — o projeto foi estruturado a partir de uma lógica hierárquica de saturação. Tons intensos e suaves coexistem, mediados por neutros que equilibram e costuram as intenções opostas em um conceito coeso.

  Elementos construtivos e personalizados, como paredes, teto, marcenaria, portas e caixilhos, incorporam essa dualidade por meio de tons de laranja, preto, cinza e rosa. Já o mobiliário, o piso, os metais, as luminárias e a presença da madeira e do vidro atuam como mediadores, trazendo neutralidade, transparência e respiro visual.

  Essa unificação exigiu cuidado. O excesso de preto poderia tornar o ambiente sensorialmente pesado; a saturação exagerada, por sua vez, estímulo excessivo. A distribuição criteriosa desses elementos em cada ambiente garantiu equilíbrio, evitando que um universo se sobrepusesse ao outro.

PRATICIDADE FLEXÍVEL

  Para além da harmonia estética, o projeto do Apartamento Acorpunk buscou otimizar e flexibilizar todos os ambientes, especialmente os íntimos e de serviço, onde as metragens são mais restritas.

  Na área íntima, suíte e escritório receberam marcenarias verticalizadas em diferentes alturas, ampliando a capacidade de armazenamento e liberando área de circulação. Já cozinha e lavanderia foram organizadas como um corredor de trabalho linear, com iluminação específica para cada trecho. Criou-se uma sequência funcional que se inicia na porta de entrada e na geladeira, percorre a bancada de preparo e finaliza nos varais embutidos acima das máquinas de lavar e secar — uma pequena linha de produção doméstica.

  Ambos os ambientes contam com portas de correr, permitindo que sejam ocultados em momentos de visita e reforçando a fluidez da área social.

  Em sua totalidade, o projeto revela como é possível conceber a partir da conciliação de diferenças. Democrático e equilibrado, o Acorpunk demonstra que ninguém precisa abrir mão de quem é para compartilhar um lar. Há espaço para identidade, rotina, desejo e contraste — todos presentes de forma funcional, agradável e acolhedora, como todo lar deve ser.

“Não apenas os estilos eram diferentes — as rotinas também. Um é programador e trabalha em casa; o outro é ator e vive em movimento. Os espaços precisavam dialogar com esses itinerários. A flexibilidade tornou-se, portanto, premissa fundamental.”